Mesmo que aceite a sugestão, o general passará por um teste difícil, já que vai encontrar um clima bastante adverso dentro da Câmara. Por motivos parecidos, as comissões de Fiscalização Financeira e Controle, do Trabalho e de Relações Exteriores e de Defesa Nacional decidiram cobrar explicações do ministro sobre suas atitudes. E a pressão será grande na sessão, especialmente porque o general tem um papel institucional à frente das Forças e não deveria atuar politicamente.
"Não dá para haver momentos em que as Forças Armadas oscilam numa questão de respaldar essas bravatas do presidente, esses ataques à democracia, com outros momentos em que fica um pouco de dúvida. Então, isso precisa ficar esclarecido para a sociedade de uma vez por todas", afirma o deputado Elias Vaz (PSB-GO), autor de um dos requerimentos de convocação.
"Porque, sinceramente, não dá para a gente ficar num clima desses em que todo o momento em que o Parlamento ou Judiciário contrariarem a posição do governo sempre vai sofrer ameaças. Isso não faz parte do processo democrático. E nós não vamos admitir esse tipo de coisa. Então, acima de tudo, o Parlamento tem de exercer o seu papel de cobrar a postura do pleno funcionamento da democracia brasileira. Ele não está tendo um comportamento adequado. Precisa ser questionado, precisa ser repudiado", acrescenta o deputado.
O deputado e ex-presidente da Câmara Arlindo Chinaglia (PT-SP) não acredita que Braga Netto adote uma postura beligerante durante a audiência. "Ele vai lá para atacar o Congresso? Ele vai dizer que nós somos abusivos?", dúvida o experiente deputado.
Para Chinaglia, a questão central será ouvir o que o general tem a dizer sobre a ameaça feita às eleições, caso o voto impresso não passasse - a proposta acabou sendo rejeitada pela Câmara na semana passada.
"Isso é a pedra de toque do depoimento de amanhã. Está na hora das Forças Armadas ou assumem que são golpistas ou defendem a Constituição. Inclusive, frente ao presidente da República, o que não está acontecendo", diz o deputado.

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